MORRE
CARMINHA, A POETA
MARIA DO CARMO FERREIRA
Grande,
enorme poeta, minha amiga e conterrânea Maria do Carmo Ferreira (Cataguases, 21/12/1938 – Rio,12/08/2026), a Carminha, morreu
ontem na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, onde estava internada há
tempos, com sérios problemas de saúde. Não teve tempo sequer de curtir como
merecia a abrangente antologia de sua obra poética em três belos volumes de
capa dura, lançada em novembro último pela Editora Martelo, organizada pelos
poetas Fabrício Marques e Silvana Guimarães – e vencedora do Prêmio da Academia
Mineira de Letras em 2025.
No último
novembro, estive em Belo Horizonte para o lançamento dessa antologia da
Carminha, ocasião em que gravei um breve depoimento sobre minha amiga, que pode
ser visto no link https://youtu.be/4oeMWo_P9rg?si=YRgEUKGLK0-iD_E3.
Carminha é uma poeta que precisa
urgentemente ser lida. É das grandes, reafirmo. Na contracapa do último dos
três volumes da Antologia, há o fragmento de um texto meu sobre Carminha: "Jogando
habilmente com suas palavras-malabares, ela é uma poeta das melhores.
Inexplicavelmente inédita em livro. Os leitores terão agora a oportunidade de
conhecer e se espantar a cada página com os instigantes poemas de Maria do
Carmo Ferreira. Carminha é poesia e cor-ação: carme, carma, carmim".
Cave, carme, carmim e suas pedras de
toque, como nesse fragmento de “Essa Menina”: “Primeiro sem lugar sem rir
sem falar/ de um pé ao outro de uma mãe a outra/ alucinando a corda
umbilical./ Em posição de estátua/ pulando amarelinha/ fingindo-se de morta/ no
nada feito atou sua autonomia.//(...)// Olho-a através do seu ponto de fuga/ no
álbum de família./Quem poderia ser? Por quem se pauta?// Passiva de corpo e
alma, errando de alvo,/ a menina dos olhos de outra vida.”.
A seguir, em sua homenagem republico o
texto que escrevi para a Revista Eletrônica Chicos há alguns anos.
Revista Chicos, 2020
O
ENIGMA MARIA DO CARMO/
CARMINHA
FERREIRA
Por
Ronaldo Werneck
Irmã
da poeta cataguasense Celina Ferreira (1928-2012), Maria do Carmo/Carminha
Ferreira (Cataguases, 1938) é também poeta, e das grandes, apesar de inédita em
livro até hoje. Alguns dados de Carminha, por ela mesma: “Maria do Carmo
Ferreira, a Carminha, natural de Cataguases, a princesinha da Zona da Mata
mineira. Aos 14 anos se tornou poeta por excesso de amor. Morou em Belo
Horizonte, São Paulo, radicou-se no Rio por mais de duas décadas e finalmente
mudou-se para Niterói. De 1969 a 1973 morou dois anos na Europa e dois nos
Estados Unidos, cursando mestrado em Literatura Comparada e lecionou língua e
literatura brasileira no Colégio dos Graduados, Universidade de Illinois.
Aposentada da Rádio MEC, onde serviu por mais de 30 anos como criadora,
tradutora, redatora, produtora e coordenadora de programas literários e
lítero-musicais. Tem um livro de poemas inédito, “Cave Carmen”.
Carminha
e eu éramos vizinhos no Rio, quando morei no bairro do Leme nas décadas de 1960
e 70, mas só nos vimos uma vez, quando fomos jurados de um concurso de poesia
organizado pela poeta Kátia Bento, que também não vejo há anos. Carminha sumiu
há tempos. Soube que ainda anda pelas bandas de Niterói, está sempre na igreja e
só fala com Deus e mais ninguém. Em 1978
escrevi um poema a partir de um poema dela que fora publicado no ano anterior
pelo Suplemento Literário Minas Gerais. Mas ela só soube disse tempos depois,
quando desenvolvemos longa troca de emails no ano 2000. Os dois poemas, o meu e
o dela, vão a seguir, junto com alguns desses e-mails que ela me mandou na
ocasião, na verdade poemas sob a forma de emails, verdadeiros “poemails”. Logo
depois, ela sumiu de novo, e não nos falamos desde então. Todos os meus poemas
que ela cita nesses “poemails” a seguir estão em meu livro “Revisita
Selvaggia”, que seria publicado em 2005.
A Quem Interessar Possa (*)
Uma
pessoa
do sexo
feminino
38 anos
1,65
sem lar
sem filhos
sem família
sem negócios
sem esperança
com 108 contos
na poupança.
Garante
que possui
matéria-prima
para
literatura
teatro
baby-sitter
trabalhos
manuais.
Gosta
de música.
Chega
a tocar
de
ouvido.
Conhece
inglês
e
línguas neo-latinas.
É boa
datilógrafa.
Cozinha o
trivial.
Prefere a
natureza
à vida na
cidade.
Amor, quase não
faz
porém se adapta
sem-
pre ao item men-
cionado.
Falta-lhe
alma
um
sopro que a reanime.
Se
veleidades tem
é
de sentir-se real.
Vive
por
força
de
viver
mas
corre o risco
de
se deixar morrer
sem
que se dê
POR
ISSO
oferece-se
a quem
interessar
possa
uma
coisa
uma
causa
uma
pessoa
alguém
um
problema social:
o
caso dessa moça.
Maria
do Carmo Ferreira
Publicado no
Suplemento
Literário Minas
Gerais em 1977
(*) Poema que
motivou o meu “Esse Moço”
Esse
Moço
Feroz a um breve contato,
à segunda vista, seco,
à terceira vista, lhano,
dir-se-ia que ele tem medo
de ser, fatalmente, humano
Drummond
um pouco à maneira e para
maria do carmo ferreira (1)
do
sexo masculino
uma
pessoa
por
todos prezada
um
bom menino
se
apresenta
esquivo
sem
bossa
a quem interessar
possa
só
sozinho
entre
todos
um
mistério
um
troço
um
caso sério
o
desse moço
amar
ama
na
rua
no
mar
na
cama
amar
ama
oferta
seu corpo
a
meninas
e
mulheres-dama
amar
ama
mesmo
fora
da
cama
tão
de dentro
tão
fundo
como
se gemendo
envolvesse
o mundo
tudo
e todos
saltam
do peito
do
mais profundo poço
dando
forma e fundo
a
esse moço
pássaros
neutrônicos
elefantes
levíssimos
patinetes
em pânico
balões
de neon
nada
igual
pipas
ensandecidas
bolas
de gude
num
vôo orbital
entre
eros e tanatos
decepado
entre
fobos e deimos
largado
ao
mar
por
malasorte
habitado
nau
do
ocaso
vau
frágil
vendaval
em vão
duro
osso
esse moço.
Ronaldo Werneck
Rio, 1978
(1).
Em 1978, o
Suplemento Literário Minas Gerais publicava o poema “A quem interessar possa”,
de Maria do Carmo Ferreira. Fiquei impressionado com o vigor da poeta, que desconhecia.
Escrevi este poema em sua homenagem e absolutamente influenciado por sua
dicção. Só mais tarde soube que ela era
minha conterrânea e até mesmo vizinha, no bairro do Leme no Rio. Ficamos amigos, mas nunca lhe mostrei o
poema, que acabou inédito. Carminha só soube dele quase vinte anos depois, ao
visitar meu site na internet.
V(end)e-se
Ser
feliz é ser outro em algum lugar
Abgar
reinou!
Rende-se
ao saravá/saraivada
metralhadora assestada
de Ronaldo/Ronaldim:
é doido (nasceu assim?).
Como foi que não dei conta
e nem me dou por achada
se sair deste embolada
eu que conheci Vinicius
de Poética & outros vícios
nos quais revejo você
mas pra quem
quiser saber
estoy
contigo y no abro,
por
supuesto, en la distancia,
pra lá de Gabo y Cortázar
Lesama Lima y naranjos:
debaixo de um pé-de-manga
de manga-espada e de ubá
quero mais poder contar
a quem não sabe e não viu
que o verdadeiro ronaldo
(ronaldinho do Brasil)
é werneck – e está na Bíblia:
werneck-melquisedec
cujas oferendas são
muy gratas à divindade:
primícias de vinho, pão...
e poesia de verdade!
P.S.
Era um dia era um dedo era um dado
falo o que sinto & o que sei:
não sou de mandar recado.
Era um dado era um dedo era um dia:
Tu, Lampião? Eu, Maria
(ou Carminha do Ronaldo?)
Era um dia era um dado era um dedo
melhor que tu não topei:
não sou de fazer segredo. (1)
Maria
do Carmo Ferreira (2)
Niterói, 11.06.2000
1. Eis que, por emeio, rebato à
provocação, em tom meio tonitroante. E se for cum dez pés lá vai: “nos dedos
noite-dia aveludados/ reluz tua voz dado-diamante/avante, luz!, sus, sons
atordoados”.
2.
Maria do
Carmo/Carminha, irmã de
Suíte Carmeletrônica: poemails
09 junho 2000/21:58h
Ronaldim
des´en´contra´do
há
tantos anos
de
mim:
chorar
recua
duas casas?
sorrir
avança
três? (1)
Me
dê sua mão agora:
vou
me lançar de
skyflier
kamikase
aqualouca
pra
ver se alcanço
você!
P.S.
Depois
que te li, agorinha,
recuei
20 anos e um mês!
Carminha
P.S.
2
em
tempo
deu
morrer
sem
saber
o
puta enorme
poeta
que
é você
no
lastro de um
Vinicius
a
Bandeira:
pai,
sou;
poeta,
sim;
a
quem in-te-
ressar
possa (2)
ou
pre-cisar
de
mim!
Avoé,
Avoengo
Pai
de Ulla & Pablo
e
meu padim!
É
você, Baco!
Ai
de carmins!
1. Menção ao meu poema “No
Rádio/Na TV/Veja Você”.
2.
Carminha
refere-se a um trecho do poema “Esse Moço”, que lhe dediquei nos anos 80.
22 de junho 2000/23:27h
Ronnydeans:
si vous voulez ancim,
seus e-mails, doces pra mim, são hieróglifos,
em
grego e latim.
Você
me lê aos trancos e barrancos,
Depois
toca a perguntar de novo,
Ab ovo. (1)
Si lo que hablo no me lês,
pregunte al Pablo, (2)
Aranjuez,
já
basta o desconcerto
do
mundo (3)
sem
fundo de olho
(pergunte
ao Chico) (4)
e
não me venhas de lá,
como
o Cagiano, (5)
com
fícus, oitis,
palmas
imperiais.
Eu
sou do tempo das acácias,
verídicas
(ou virtuais?),
gregas,
medas, semitas,
nem
sei mais.
E
feliz por feliz
antes
em Paris,
catanga, ocê? (6)
catando
o quê?
Miçangas,
não tem mais...
Acácias
reais, no más.
Fico
com a Espanca,
flor
bela entre as demais,
carnívora,
incestuosa,
tudo
o que se permite
e
iu
a
que ousava o que disse
(ninguém
sabe, ninguém viu)
la prima entre fra ternos
arroubos
juvenis...
Mas,
xarpalá, (7)
que
temos nós com iis?
Já
Camões, ah Camões,
salvou
seu manu´scrito
mas
morreu Dinamene
que
foi sua musa e mito,
mas
não mais favorita
do
que o livraço seu.
Para
que você me ouça,
e
me desafie a galope
ou
martelo,
eu
antes salvava a moça
e
deixava ir pro inferno
ou
profundo do mar
le
livre... esse flagelo
por
quem passou fome
e
frio
sem
cuidados sem cuitelos
no
exílio desse inexílio (8)
sempiterno.
Mas
virando pro Rimbaud:
peguei do Fabrício (9) um mote
e
aqui vai, ou eu vô:
RIMBAUD
ET L´AIR
Poeta
sou
mas
pelo avesso.
Cheguei
ao extremo:
não
faço versos.
Verti
ao olho e al dente
uma
estação no inferno.
Não
vou nessa de Dante:
É
sem acompanhante
que
trafego
pelas
profundas de mim mesmo.
***
E
como me disse o Chico
cheio
de cabeça e mãos:
O
coração, sem-razões,
É
o único a ter razão.
E
mais não digo ou desdigo
Se
não for a sós comigo.
Fica
o não dito por dito
Que,
desdita, não re´pito!
Com
Deus, J.Joyce, digo, J.Deans
Ronny
Deans, Ronalwinnwnner!
um
carma, um carme, um carmim
1. Eram emeios, emeios, emeios sem
ter fim. Carmim não dava tempo pra mim.
2. Meu
3. Referência a uma peça teatral
que escrevi: “O Mundo
4. O poeta
5. O poeta Ronaldo Cagiano.
6. “Catanga” é como sempre
brinquei de chamar Cataguases desde o assassinato do líder nacionalista Patrice
Lumumba no Congo Belga, em 1961. Talvez pelo que tenha ficado em minha memória
do poema de Geir Campos dos tempos do “Violão de Rua” (n.º 1, Rio, 1962):
“Patrice negro e congolês Lumumba!/Bambo bambu, molambo/de infinitas
bandeiras/no céu da África acesa,/.../em Catanga, em Catanga/colho a estrela
madura/ de um sonhar amarelo,/ e em Catanga, em Catanga/ abro a boca da noite/
com meu grito mais belo”. Como no Congo, também em Minas, na Zona da Mata
dos anos 60, havia grandes escaramuças, pelo menos no futebol, entre as por mim
denominadas cidades de Cataguases/Catanga e Leopoldina/Leopoldville.
7. Palavra-valise by Carminha
(deixar parlar/deixa falar/deixa pra lá) que adaptei como “xaparlá” para o
poema “Catar-se”, dedicado ao
8. Referência ao poema-livro
“Inexílio”, de
9. O poeta
Werneck´s Riverruns
Menino
dentre os doutores
não caminha sobre as águas.
As
águas é que se aninham
entre
as linhas de sua mão
em
mil pequenos lavores
de
cortejos espaciais
e
amores mais-que-perfeitos:
Menino
do Rio Pomba
que
traz mais pontes no peito
do
que garças nos beirais.
Meia-pataca
entrevista
a
um privilegiado olhar
que
jamais outros veriam
pois
não voltara a se dar.
Pai,
amigo, poeta, irmão
sem
se saber quem precede
pela
simultaneidade:
o
espírito? o coração?
afetos?
inteligência?
Vocação
pela existência:
viver
e deixar viver.
Dura,
neste
terno, quadra, quina
de
quem tirou sorte grande
por
te conhecer aos trinta
rever-te
aos cinqüenta e sete
com
a mesma pinta que nina
(Santa
Maria!) o moleque!
Maria
do Carmo Ferreira
Niterói,
17.07.2000
Maria do Carmo Ferreira
Por email – Trechos
Niterói, julho de 2000
17.07/ 09h54
Ronaldo,
Ontem
terminei de reler Selva Selvaggia e O Mar em Minas, ambos excelentes, maduros,
embora com décadas de distância espaço/temporal, e eu me pergunto se os 3
concretos conhecem de perto o que você escreve, vi até certas coincidências em
nós dois (nan ja essa espuma, virgem verso…)¹ mas a sua vocação espacial nas páginas
não é coisa nostra, é coisa muito sua e muito bem réssiste. (…) Quem teve o
privilégio de conviver com um Humberto Mauro, um Rosário Fusco e um padrinho
Geraldo Kneip (fiquei fã dele) tem mais é que amadurecer sabiamente, sem os
protocolos dos sábios do Sião…
¹. Referência à sua tradução do
poema “Salut”, de Mallarmé, publicada pelo Suplemento Literário Minas Gerais
(n.º 57, Belo Horizonte, março de 2000).
17.07/16h33
Ronaldo,
sou Ferreira, e não de ferro. Se eu
tivesse instrução e vervê faria uma matéria sobre os seus poemas-livros de
longo fôlego. Sobretudo Minas em mim e o mar esse trem azul… Não tenho, não me
cobre isso, por favor, fico emocionada, rateando, engasgada, ultravaidosa e
orgulhosa de você ter chegado tão longe e com uma aparente displicência
rosariofusqueana de quem faz tudo isso (inclusive filhos, amores, amigos,
contatos) com um pé nas costas. Beato Lei!
Como
se não bastasse, viaja que Deus dá, sai toda noite, escreve matérias as mais
diversificadas todo dia pra todo jornal e revista que te dê uma brecha, faz
conferências pras lindas normalistas, orienta teatro estudantil, que sei eu?
Faz cinema, ah faz cinema, principalmente quando escreve!
22 julho de 2000/17:14h
Roneck
meu anjo
Rô
Rô
Você
me provocou:
“Quem
mais, oh menina,
quem
mais me alucina,
quem
mais,
de
ter mina”
(o
coração
nas
mãos
–
haj´as´as –)
sob
os pés?
Nem
herpes
pé-de-atleta
joanete
cravo
(calo)
me
afeta
quando
escarvo
touro
desembestado
o
solo em que nasci:
sou
mercúrio ligeiro
hermes
o mensageiro
tarzan
pós-tudo
empós
da
mata onde campeio
princesinhas
na zona (1)
emails
greeting cards
cariocas
lys-do-campo
sites links relâm/
pagos
hologramas poéticos...
Ainda, peri-patético,
atravesso os brasis
pondo os pingos
nos iis
e ocupando
meu espaço
até que o dia grame
comme il faut, como o fiz
do tell (star) catanga
urbi et orbi
e tal:
da taba onde soul rei
(geo´grafia: sorrio)
cacique catauá
para a aldeia global.
Car´mina Bu(saga)rana
1.
Cataguases é
também conhecida como a “Princesinha da Zona da Mata”. Um dia, num programa radiofônico, saí com uma
brincadeira idiota. Falava-se que a mata estava em extinção. Bati firme: “Se
mata não há mais, nem mesmo cataguais. Sem mata, ela vira ´Princesinha da
Zona´, uais!”. Logo depois, me redimi. E
para sempre. Hoje, só chamo Cataguases de “Paris da Zona da Mata”. Não há
controvérsias.
26 de julho de 2000/04:08h
e agora, num
tête-à-tête,
seo Werneck, me responda
sem tirar casquinha
em onda minha
por que a prosa do Rosa
e tã pedregosa?
Com
este, eis dois claros enigmas
que
lhe proponho,
era um era dois era três
que vou dormir de vez, e tome-o:
A flor com que a menina sonha
está no sonho ou na fronha?
Vai, segue em paz, figlio, amoroso
giglio,
Rô da Rua,
Do vento, do tempo, do frio,
Das altas madrugas,
Um deus dormiu lá em casa
(teatro, tradução de um figueiredo)
um poeta em cataguases
dorme onde jazem os seus
(primus inter pares)
já nem dorme
alucina
sem porre, na porrada,
e em sua lazy mir´hada
me ilumina:
benza-o Deus!
q.q.isso, meu?
28 de julho de 2000/06:49h
Agora
amoito, anoito:
De manhã escureço
de dia tardo
de tarde anoiteço
de noite ardo.
Do teu sósia em poesia, quer mais?
Menino,
me bota um verso
Bem cheio de comoção:
Era uma vez um poeta
Mas não digo o nome não.
Tantas fez que a dor de corno
atirou ele no chão
machucou ele nas pedras
espremeu seu coração.
Que pensa usted que saiu?
Saiu cachaça e limão.
E assim caminha a humanidade.
Em ritmo de mango tree, poe!
Não vou perguntar nunca mais
Por que calou o bico.
Agora sou Dialógica:
- Como vais?
- Comovida!
Comoção as tuas garotas de Ipanema (1)
É ou não é coincidência com o meu
Oldfashion poemiseta?
Até mais longe, além muito além
daquela serra
Que ainda azula no horizonte...
Carminha
1. Referência
ao meu poema “Verão”
Meia-Pataguá
ESTE
MANO-A-MANO
VAI
DAR QUE FALAR.
QUERER
DE VOCÊS??
QUEM
VI VERVER AH
Q
SERTÃO É TANTOS
DONDE (QUI SABRÁ?)
YA NO VUELVO MÁS!
MI BOLETO, AMIGOS,
NOTIENE-REGRESOS:
FIZ
AS PAZES, SINTO,
CO’UM
PASSADO EX-
TINTO,
MAIS DE SAN-
GUE
E CORTES - QUE
NÃO
CICA/TRIZ/AM Y
NEM
ME DE\MO\VEM.
Q’EROS
GANG NOVA
CORRENDO
N/AVEIA
E
RON/ALVOS OVOS
PARA
A MINHA CEIA
CHEIA
DE CARÊNCIA
NESTE
XEQUE-MATE
Q
NÃO DESSEDENTA
TAL
FOME DEVERDE!
Maria do Carmo Ferreira


